O cuidador da Ilha dos cães

O cuidador da Ilha dos cães

Recentemente, num artigo da revista Visão, dois estudos concluíram que é mais provável sentirmos empatia com um cão em dificuldades do que com outro ser humano. Através dos estudos percebeu-se que na generalidade ficamos mais apreensivos com histórias de cães espancados ou magoados do que quando as vítimas são outras pessoas.

Para este estudo, publicado no Society & Animals, dois investigadores da Universidade Northeastern, de Boston, EUA, distribuíram a cada um dos 240 participantes uma de quatro notícias falsas. Os artigos descreviam um ataque “com um taco de basebol por um agressor desconhecido”. Ao chegar ao local da agressão, poucos minutos depois, continuavam as falsas notícias, um polícia encontrou a vítima inconsciente, com uma perna partida e múltiplas lacerações. A diferença entre os quatro artigos estava na vítima: um bebé de um ano, um adulto de 30, um cachorro ou um cão adulto. Os níveis de empatia registados foram semelhantes entre os participantes que leram a história sobre a criança, o cão ou o cachorro, mas foram inferiores entre os tinham recebido a notícia em que a vítima era um humano adulto.

A situação mundial da pobreza e da escassez de alimentos diz respeito até mesmo às situações mais inesperadas. Embora muito se fale sobre as vítimas da fome, na maioria das vezes, nos esquecemos de outro tipo de vítimas: os animais. Por exemplo, a ilha dos cães, no Paquistão, é uma prova disso.

Ninguém sabe como eles chegaram lá, mas está comprovado que eles habitam a ilha há décadas. No local, não há alimentos nem água. Por isso, os animais morreriam de fome e de sede se não fossem pessoas com um bom coração, como é o caso de Muneer, o famoso cuidador da ilha dos cães.

Muneer é um pescador paquistanês que trabalha perto da ilha dos cães. Sempre que Muneer chega à ilha, todos os cães o recebem e já sabem o que está por vir. Ele oferece aos animais comida e água.

Mas, por que Muneer faz isso? De acordo com as próprias palavras do pescador:

“Cuido destes cães porque eles não têm outra pessoa que os proteja. Eu gosto de dar comida a eles porque eu sei que Deus irá me recompensar. Se eu os alimento, Deus irá me alimentar. É o dever de todos os muçulmanos proteger os animais. Somente uma pessoa sem compaixão não iria ajudar esses animais”.

Ver a forma que Muneer e outros pescadores agem leva a pensar que no Paquistão os cães e os outros animais são bem cuidados. No entanto, em Karachi, a capital financeira do país, está repleta de cães abandonados nas ruas.

Estas histórias, como a da ilha dos cães, fazem com que tenhamos esperanças que ainda existam pessoas com um bom coração e que, talvez algum dia, poderemos acabar com o abandono dos animais.

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